
Quem incentiva as meninas do futuro?
Cristiane Rozeira, Marta Vieira da Silva, Miraildes Maciel Mota, Daiane dos Santos, Rafaela Silva, Ana Moser, Maria Lenk, Joanna Maranhão, Serena Williams, Megan Rapinoe e muitos outros nomes... As crianças ao seu redor reconhecem essas atletas? Espero que a resposta seja um grande e alto “SIM”, mas conhecendo a realidade, o “não” é muito mais provável. Por outro lado, se as crianças sabem quem elas são, será que entendem o impacto dessas mulheres? Será que elas as têm como ídolas, acompanham a vida ou tem interesse de saber mais sobre cada uma?
Quando falamos sobre esporte feminino, uma palavra resume o que significa tudo isso: REPRESENTATIVIDADE. Se queremos um mundo melhor, precisamos começar pelas crianças, pois esse assunto também as envolve. Precisamos debater sobre as referências que elas recebem e sobre a presença da mulher no universo esportivo. Quais são seus ídolos e de que forma contribuímos para essas escolhas, e por que algumas pessoas têm mais protagonismo que outras?
As diversas vezes que eu escuto “futebol é coisa de menino” me fazem questionar sobre o impacto da falta de apoio na infância/adolescência de uma menina que sonha em ser atleta. Por conta disso, nada mais natural do que produzir algo que seja importante para o debate e reflexão sobre o tema a partir de perspectivas históricas e sociais. Nesta web reportagem, reflito e analiso os desdobramentos da participação feminina no esporte e sintetizo em vídeos, imagens e textos o poder de transformação na prática e na discussão do tema.
Mulheres no esporte e a desigualdade de gênero
Segundo a Pesquisa de Confiança e Puberdade, realizada pela marca de absorventes Always, em 2016, com mais de mil jovens mulheres, foi observado que, durante a puberdade, 74% delas se sentem desencorajadas pela própria sociedade para praticar esportes. A primeira causa identificada para esse fenômeno foi o sentimento de que são inferiores nos esportes em comparação com os homens. O segundo seria a falta de apoio e incentivo por parte dos familiares e amigos próximos. Ainda, é apontado que o maior problema seria a falta de respeito com as garotas dentro do mundo esportivo.
“Historicamente, o esporte tem sido organizado como uma reserva masculina, na qual a maioria das oportunidades e recompensas vai para homens” (THEBERGE - 2007, p.323)
Neste cenário, quando os estereótipos de gênero, preconceitos e estigmas, impossibilitam ou interrompem as mulheres à participação nos esportes, caracteriza um aspecto de violência, ou seja, a violência de gênero. Segundo Strey (2004), tal violência está relacionada ao compartilhamento desigual de poder e também as relações irregulares no cenário esportivo, às quais se constituem entre homens e mulheres, e que são sustentadas por ideologias sexistas.
A inclusão das brasileiras no esporte começou a acontecer em meados do século XIX. Porém, só a partir das primeiras décadas do século XX que essa participação ganhou força e, portanto, mais visibilidade. É importante destacar que nos primeiros anos deste século, o Brasil ansiava por um processo de modernização, pois o progresso industrial, novas tecnologias, urbanização e manifestações operárias criaram uma nova camada de demandas sociais. No panorama da época, o Brasil deparou-se com um confronto entre valores conservadores e revolucionários com poderes de promover tanto a tradição quanto o progressismo.
O exercício corporal se apresentou como uma alternativa de fácil acesso e divertimento. Não só as pessoas dos grandes centros urbanos, mas dos mais carentes, tiveram a oportunidade de fazer parte de uma manifestação em massa, tais como o futebol de rua, seja como participantes ou telespectadores. Porém, até meados do século XIX, a estrutura conservadora não permitia às mulheres grandes participações nos eventos esportivos, já que eram criadas para serem boas mães e esposas. O processo de mudança dessa esfera foi gradual.
POR QUE A PRESENÇA FEMININA NO ESPORTE INCOMODA?
Recentemente, divulgamos um conteúdo sobre a W Series - categoria de automobilismo destinada exclusivamente a pilotas. Na publicação, ficamos mais uma vez incomodadas com a quantidade de comentários hostis e ofensivos contra o incentivo das categorias femininas em TODOS os esportes.
Por que os esportes femininos, e até mesmo atletas mulheres, incomodam tanto? Por que a recepção de mulheres em âmbitos esportivos é tão hostil?
E essa realidade está longe de ser restrita ao automobilismo, ou a uma categoria específica. Jornalistas, comentaristas, atletas, fãs, dirigentes, técnicas e mais uma infinidade de profissionais e entusiastas dos esportes ouvem comentários desse tipo todos os dias.
Mais uma vez, viemos a público nos posicionar a favor da mulher no esporte, seja na posição que ela quiser. E mais do que isso, nos posicionar a favor da mulher, em qualquer lugar que ela quiser.
Para STAUROWSKY, citada por OLIVEIRA:
PODCAST ESPORTUDO!
Neste episódio, Sabrine Araújo recebe Isabela Damazo e Amanda Bernard para falar sobre um assunto muito importante: evolução e crescimento do futebol feminino e a representatividade das mulheres no surfe.
A pouca representatividade de mulheres técnicas fortalece o entendimento de que o sistema esportivo cria e reforça um elo de gênero entre esporte e masculinidade, pois é sustentado por uma estrutura patriarcal, que enfatiza qualidades de domínio, agressividade, competitividade e risco, valorizadas tradicionalmente como características dos homens, desenvolvendo, por fim, a noção de que treinar atletas é tarefa para homens e não para as mulheres.
.png)
Mas afinal, como é a realidade?
“Às mulheres, não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país” - esse trecho foi extraído do decreto-lei nº 3.199 de 14 de abril de 1941. Ele foi criado na Era Vargas e ficou vigente até 1983. Isso significa que durante quarenta anos as mulheres foram proibidas de participar de qualquer atividade desportiva e, principalmente, a mais famosa na época, a prática do futebol.
Importante relembrar as inúmeras barreiras que Lea Campos precisou enfrentar, na década de 1970, para se tornar árbitra de futebol. Lea participou de um curso de oito meses na escola de árbitros da Federação Mineira de Futebol, em 1967, mas apenas em 1971 obteve seu diploma reconhecido pela FIFA.
A árbitra mineira nunca poupou esforços para ter seu reconhecimento validado, chegando a recorrer ao ex-presidente do Brasil, Emílio Garrastazzu Médici, para conseguir seu diploma, já que a Confederação Brasileira de Futebol, segundo a Constituição, não a permitia exercer sua profissão. (SCHUMAHER; BRAZIL, 2000).
Até mesmo hoje em dia persistem alegações que afastam as mulheres da prática esportiva profissional. Os motivos manifestados para justificar as mesmas são de que “mulheres são frágeis quando comparadas aos homens; o esporte não faz parte da formação física do belo sexo, o corpo é frágil e elas são muito sentimentais e muito mais” (BRASIL, 1941)
Quando falamos nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, por exemplo, a primeira edição aconteceu na cidade de Atenas, em 1896 e, em 1900, ocorreu a primeira participação de mulheres na competição. Pela ótica brasileira, a primeira vez que o país enviou uma delegação foi em sua sexta edição, na de Antuérpia em 1920, mas somente em 1932 uma atleta esteve presente na delegação nacional. A nadadora Maria Lenk representou as mulheres brasileiras depois de 32 anos de competição.
Em 2022, fiz uma entrevista com a Joanna Maranhão, uma grande atleta brasileira e ex-nadadora. Durante a conversa ela contou um pouco sobre sua trajetória no esporte, incluindo um recorde na natação feminina brasileira em uma Olimpíada e os traumas do passado que ela sofreu devido a um abuso sexual cometido por um ex-treinador:
A amplificação do evento esportivo trouxe muita empolgação e isso foi uma das principais razões pelas quais os atletas brasileiros conseguiram participar no ano de 1924. Mesmo com a Confederação Brasileira de Desportos – criada em 1914 -, com Forças Armadas e o Estado, foi somente através de ações individuais que a viagem para a disputa do torneio foi possível. Os 11 atletas homens representantes do Brasil foram encorajados por uma conduta esportiva e pelo pensamento de uma confraternização universal. O grupo criou um movimento, junto a Federação Paulista de Atletismo, visando adquirir recursos para encaminhar a modesta equipe aos Jogos. Para as Olimpíadas de Amsterdã, em 1928, a animosidade era similar à última, porém não foi o bastante para participar da competição devido à falta investimento e verba. (GOELLNER, p.88 - 2006)
A primeira vez que as mulheres atingiram dois dígitos em participação foi em Moscou, em 1980 - com 15 mulheres e 94 homens -, mas a conquista da primeira medalha ocorreu somente em 1996, em Atlanta. Na delegação havia 66 atletas, sendo 29% da equipe composta por mulheres, as quais conquistaram 4 de 15 pódios.
De acordo com os números do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), foi a partir dos Jogos de Sidney, em 2000, que as mulheres começaram a representar mais de 40% do time. Nesta competição, com 94 participantes, elas ganharam 4 de 12 medalhas. Atenas (2004) recebeu 122 mulheres (49% da delegação do Brasil) e 2 de 10 medalhas; Pequim (2008), 133 mulheres (48% da delegação) e 7 de 17 pódios; Londres (2012), 123 mulheres (47% de delegação) e 6 de 17 medalhas.
As Olimpíadas com maior número de presença feminina foi justamente em 2016, no Rio de Janeiro. Com 209 atletas mulheres, elas representaram 45% do Time Brasil, e garantiram 5 de 19 medalhas. Em Tóquio (2020), a delegação contou com 302 atletas, sendo 140 mulheres, e obteve o melhor desempenho do país na história, com grande contribuição por parte delas - 42,8% das medalhas, sendo 9 de 21.
"O número de mulheres com certeza está crescendo e vamos vivenciar a primeira Olimpíada da equidade. Em Paris vamos ter efetivamente cerca de 50% de representatividade, o que em outros campos, como parte técnica, treinadoras e árbitras, ainda falta a participação feminina. A gente tem bastante chance em muitas modalidades, principalmente porque temos esportes novos para as mulheres, além da inclusão de esportes mistos, o que mostra um crescimento dessa tendência de trabalhar em equipe, em conjunto com os homens", afirmou Isabel Swan, coordenadora da área Mulher no Esporte do Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Como se os desafios do dia a dia não fossem suficientes - adversários, treinamentos, pressão por resultado, viagens, etc -, na maioria das vezes a mulher não recebe incentivos para participar de esportes, seja da família ou das entidades, como já citado anteriormente. Por exemplo, é notável a discrepância do incentivo financeiro comparado ao dos homens, como observa-se no exemplo abaixo:
DESIGUALDADE! ⚽️
Enquanto na Copa do Mundo de 2019, Marta utilizou chuteiras sem patrocínio como forma de protesto pela busca da igualdade no esporte, Neymar vai disputar a Copa do Mundo de 2022 usando uma chuteira da Puma de quase 2 mil reais…
As jogadoras de futebol não querem a ostentação vista no masculino, elas só querem o mínimo para disputar as competições com dignidade.
Como afirmam PAIN e STREY (2006):
Alguns fatores foram apontados pelos (as) atletas como causadores de prejuízos para as mulheres no contexto esportivo. Entre eles: o não reconhecimento do ser mulher atleta, ou seja, não ser reconhecida pelo seu desempenho dentro das quadras, mas pelo seu belo corpo; as relações sociais no esporte serem construídas em cima de valores sexistas, e a mulher atleta não poder viver dignamente através de seu trabalho no contexto esportivo.
Também tive a oportunidade de conversar com a Juliana Campos, atleta do salto com vara, apontada como sucessora natural de Fabiana Murer na categoria. Ela contou um pouco sobre as dificuldades de ser uma atleta nesse meio:

Apesar dos avanços, porque ainda é tão difícil ser mulher no meio esportivo?
'O erro de uma mulher reflete em todas',
diz Renata Mendonça, comentarista da Copa do Mundo FIFA 2022.

Renata é uma das jornalistas que fundou o portal Dibradoras, um dos maiores canais de mídia sobre o protagonismo feminino no esporte, retrata em uma frase o porquê é tão difícil ser uma mulher atleta ou qualquer outra profissão no meio esportivo.
Tomando o futebol como base e aprofundando o tema além das questões de gênero enfrentadas pelas mulheres, trago dados de um estudo da FIFA lançado em 2019, que apresenta o resultado do descaso de anos com o futebol feminino brasileiro e como isso tem impacto nos dias atuais. Pode-se dizer que o relatório faz um “diagnóstico do futebol feminino” em todas as confederações associadas à FIFA, mostrando quantas jogadoras atuam no esporte em cada país, quantas atletas estão registradas na base e no profissional, quantas categorias de seleção existem em cada uma e quantas técnicas são licenciadas.

Nota-se que o Brasil possui um total de 15 mil mulheres jogando futebol de maneira organizada, ou seja, atuando em campeonatos amadores ou profissionais. Quando comparado com as tetracampeãs mundiais, as americanas têm 600 vezes mais – são 9,5 milhões de mulheres praticando o esporte por lá.
uj
Edina e o VAR cometeram um erro no jogo entre Novorizontino x São Paulo no ano passado e no Paulistão de 2022, dois pênaltis para o Santos não foram marcados no clássico contra o São Paulo. ⚽️
Os lances foram motivo de revolta por jogadores e torcedores.
Depois dos erros, diferente de outros árbitro no futebol, Edina foi afastada de jogos grandes e, em 2022, ainda não apitou um jogo da Série A ou da Copa do Brasil. Ontem (21), ela comandou Chapecoense x CRB - apenas o seu 4º jogo na Série B.
Na lista dos escolhidos para a Copa do Mundo, a principal árbitra brasileira ficou de fora, pois não estava tendo atuação em campeonatos importantes no país.
Como ela mesma já disse, a tolerância com os erros das mulheres são bem menores.
Há quanto tempo Edina não aparece? Ela já foi a melhor árbitra em atuação, voltou dos Jogos Olímpicos e sumiu... Até quando vamos tratar os erros das mulheres diferentes dos outros?

O esporte é para todos
O que você quer ser quando crescer? Eu tenho certeza que você, leitor ou leitora, escutou essa pergunta muitas vezes durante a sua infância. Eu arrisco dizer que a grande maioria dos homens já respondeu que queria ser jogador de futebol ou atleta em geral. Por outro lado, infelizmente, eu duvido muito que a maioria das meninas responderam esse questionamento da mesma forma.
“Menina não sabe jogar”; “Mas você entende disso?”; “Quero ver se você sabe”.
Esses são alguns questionamentos que meninas e mulheres escutam quando se lançam em algum esporte. Os números confirmam que grande parte delas possuem histórias de exclusão em função do gênero. Conforme um relatório da UNESCO acerca da violência escolar e bullying, de 2017, milhões de meninas e meninos sofrem violência referente ao ambiente escolar anualmente. A pesquisa relata que a opressão escolar é estimulada por “dinâmicas de poder desiguais, que muitas vezes são reforçadas por normas e estereótipos de gênero, orientação sexual e demais fatores que contribuem para a marginalização - como pobreza, identidade étnica ou idioma”. Porém, este cenário está se transformando devido a bons exemplos.
A “fadinha”, Rayssa Leal, de 14 anos, disse a seguinte frase após a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio: “Se você pode sonhar, você pode realizar”. De forma lúdica, ela coloca que quem sonha também consegue realizar feitos inimagináveis, abrindo um leque infinito de possibilidades. Ao observar pessoas semelhantes a você ocupando espaços e exercendo posições relevantes, passa-se uma mensagem com significado inspiracional para a massa. Rayssa faz parte da geração da transformação. Antes, o skate masculino era tido como a principal categoria e o feminino era deixado de lado. No cenário atual, as meninas estão conquistando cada vez mais o seu espaço, um exemplo disso é que agora o masculino compete antes e o feminino fecha o evento como atração principal.
Desde 2019 os prêmios em dinheiro oferecidos pela Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês) possuem os mesmos valores para atletas mulheres e homens. Com essa decisão, a WSL se tornou a primeira liga esportiva global a aplicar o equal pay. Se o surfe inspirou o skate no início das competições, podemos dizer que a modalidade está bem representada.
O ano de 2022 ficará marcado na história do esporte feminino. A partir do momento em que o Brasil parou para aplaudir fenômenos do esporte como Rayssa e Rebeca Andrade, a procura por essas práticas esportivas entre as crianças teve uma crescente significativa, principalmente entre as meninas. Conforme declaração do Brasil Skate Camp, organização relevante no meio, houve uma crescente de 50% na busca por aulas depois da conquista de Rayssa. As vagas abertas foram preenchidas principalmente por meninas - que representaram 90% dos novos alunos.
O mesmo efeito aconteceu com a ginástica. Em Belo Horizonte, a escola CT Amigos do Esporte divulgou que teve uma intensificação de matrículas três vezes maior entre julho e setembro de 2021 - período dos Jogos Olímpicos - do que costumava registrar em anos anteriores. Novamente, as meninas representaram 98% das novas matrículas, inspiradas pelas conquistas de Rebeca Andrade.
Isabel Swan afirma que existe uma série de fatores que fazem com que as mulheres estejam ganhando cada vez mais espaço no cenário esportivo:
"Se você for analisar o histórico da mulher no esporte, é um histórico ainda muito recente. O decreto que impedia a mulher brasileira de praticar certas modalidades, como esportes de luta, esportes de contato e considerados masculinos, foi modificado praticamente na década de 1980. Então se pensarmos que há cerca de 40 anos a mulher era proibida de praticar alguns esportes, isso sem dúvida aponta para um crescimento a partir do momento em que a mulher se empodera e acredita que pode realizar qualquer tipo de atividade".
Conforme Lovisolo, Soares e Bartholo (2006), a mulher veio para ficar no esporte. Os escritores apresentam a teoria de que este é o momento em que elas devem criar seus estilos, valores, descobrir uma maneira de conciliar o esporte e as suas oportunidades de expressão, visto que, se houver somente a tentativa de se igualar aos homens, elas continuarão reproduzindo costumes masculinos.
Quando levantamos a questão do futuro das meninas no esporte, focamos principalmente nas dificuldades - que são muitas -, mas é impossível fechar os olhos para as oportunidades que estão surgindo. Com a abertura da mídia para os eventos esportivos praticados por mulheres, é notável que a nova geração já se reconheça como atleta, ídola e pertencente a este novo espaço dentro do esporte.
Alline Calandrini, ex-atleta e comentarista, falou sobre sua jornada para começar a jogar futebol e como há alguns anos atrás ainda era tão difícil criar referências femininas no meio:

Elas fazem acontecer
“A mulher em campo é um ato político”, Lu Castro, jornalista e uma das maiores pesquisadoras de futebol feminino do Brasil, resume a importância do futebol na trajetória de construção da identidade das atletas brasileiras no seu livro: Futebol Feminista – Ensaios. Ela também faz uma análise detalhada sobre como a evolução da categoria no Brasil foi, sobretudo, política e promovida pelos protestos do movimento feminista.
POLÍTICA + ESPORTE? ✊🏻
Nem só de torcida e troféus vive o esporte. Ele também é responsável por transformações políticas que favoreçam a sociedade.
Dessa forma, Carol Solberg é um exemplo de atleta que se mantém engajada em prol da liberdade de expressão, cobrando por mudanças.
Mesmo com tantas barreiras impostas pela cultura patriarcal no esporte, em maio de 2022, a seleção americana de futebol feminino conquistou a igualdade de pagamentos. A Federação dos Estados Unidos igualou salários e bônus entre homens e mulheres; resultado obtido após muita força da luta coletiva das atletas.
Quando analisamos o cenário das americanas, aos atletas e profissionais envolvidos com a categoria, o principal ensinamento foi de que a batalha é coletiva e necessita de protagonistas. No dia 10 de julho de 2019, a capitã da seleção norte-americana, Megan Rapinoe, discursou em um púlpito de Nova York para uma multidão de fãs que comemoravam mais uma conquista do Mundial. Rapinoe falou sobre o desafio que estavam enfrentando, à época, para conseguir a tão sonhada igualdade salarial. Percebeu-se também a necessidade e a importância da geração de novas vozes que estimulem pessoas em prol de mudanças. É claro que existem diferenças entre o Brasil e os EUA, mas observando o episódio bem-sucedido deste, é possível conceber a possibilidade da construção de movimentos dentro e fora de campo para o futuro da modalidade nos outros países.
Empoderamento é o mecanismo pelo qual as pessoas, as organizações e as comunidades tomam controle de seus próprios assuntos, de sua própria vida, de seu destino e tomam consciência da sua habilidade e competência para produzir, criar e gerir. O termo começou a ser usado pelo movimento de mulheres ainda nos anos setenta. Para as feministas, o empoderamento compreende a alteração radical dos processos e estruturas que reduzem a posição de subordinada das mulheres como gênero. As mulheres tornam-se empoderadas através da tomada de decisões coletivas e de mudanças individuais. Esse processo de avanço da mulher se dá através de cinco níveis de igualdade: bem-estar, acesso aos recursos, conscientização, participação e controle (COSTA, S/D).
Não é coincidência que a nova era do esporte feminino já esteja acontecendo. Quando falamos sobre futebol, já é possível acompanhar categorias com mais transmissões, mais competições, mais investimento e, acima de tudo, mais apoio. Claro, essas oportunidades estão vindo justamente após mulheres e profissionais competentes conquistarem seu espaço e protagonismo. Em 2022, recordes foram quebrados. Nunca se viu tantas mulheres nas arquibancadas, acumulando quebras de público e afrontando opiniões opostas.
![]() | ![]() | ![]() | ![]() |
|---|---|---|---|
![]() | ![]() |
Mônica Esperidião, ex-atleta, especialista em gestão e marketing esportivo falando sobre o investimento no futebol feminino:
“Embora as desigualdades entre homens e mulheres sejam construídas na esfera cultural e social, existe uma forte ideologia cuja intenção é fazer crer que a divisão dos papéis entre eles é naturalmente determinada pela condição biológica”, este é um trecho do plano de aula elaborado pela ONU sobre “Estereótipos de gênero, carreiras e profissões: diferenças e desigualdades”. Formar profissionais da educação para incentivar os diálogos sobre gênero é uma das premissas da ONU, já que igualdade de gênero é por si só um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030.
Após entrevistar Gabriella Silva, referência feminina e da comunidade LGBTQIAP+ no meio esportivo, sócia-fundadora e CPO do Esportudo, consegui entender mais sobre os projetos de mídia esportiva no Brasil, o papel de uma jornalista nesse meio e a representatividade que as lideranças podem trazer.
De modo mais amplo, GOELLNER (2004), autora que embasei em grande parte da web reportagem, conclui que: “Se o esporte se traduz como um importante elemento para a promoção de uma maior visibilidade das mulheres no espaço público e se, ao longo da história do esporte nacional, houve a projeção de vários talentos esportivos femininos, vale registrar que essas conquistas resultam muito mais do esforço individual e de pequenos grupos de mulheres (e também de homens) do que de uma efetiva política nacional de inclusão das mulheres no âmbito do esporte e das atividades de lazer.”










